sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Confesso que tive medo.

Vá lá, medo não. Um receiozito do tipo “Ò dianho! O que é que este quer?”. Andava eu no do costume, que é olhar para as árvores, ver o que lá anda, e fazer uns playbacks adequados à espécie e à circunstância. Ainda sem perceber muito disto, carrego no play. E não é que o animal, sem pensar duas vezes, desce da árvore e vem direito a mim com cara de mau? Passo rápido, focinho esticado, olhitos pequenos muito abertos, meio alucinado. Quando lhes dá para isso estes indivíduos são doidos: volta e meia aparece um esfacelado na cara, um olho a menos... Mas bem vistas as coisas, eu peso umas cinco vezes mais que ele, o que é que o animal quer? Das duas uma, estes indivíduos são pitosgas, e são também os bichos mamíferos com cérebro mais pequeno à face da terra (para o tamanho, deles, não da terra). Se é por ser pitosga, deve pensar “Aquele vem para aqui urrar? Daqui não vejo bem. Não faz mal, não passas de hoje!”. Se é por o cérebro ser pequeno, “Aquele vem para aqui urrar? Eh lá! Aquilo é animal aí com cinco vezes mais caparro que eu! Não faz mal, não passas de hoje!”. Bem, não vá o diabo tecê-las, paro o playback e afasto-me dos altifalantes. Quando o playback pára o indivíduo acalma. Mesmo assim, vai até aos altifalantes, cheira-os (aquilo a bem dizer não cheira a nada, é plástico), e pronto, vai-se embora.

A mim cheira-me que não é do cérebro. Este outro indivíduo quando lhe fiz playback começou da mesma maneira. Vira a cabeça para mim, tenso, olhitos fixos, começam-lhe as orelhas a tremer (estou danado!), e lá vem ele árvore abaixo com aquela má atitude que já perceberam. Então eu troco de playback. Até agora era a gravação de um indivíduo do mesmo tamanho que ele (aliás, era ele mesmo gravado uns dias antes), e troco para uma de outro que penso ser maior. O animal, entretanto já no chão, estaca, durante uns segundos está ali confuso vai não vai, e resolve subir outra vez à árvore e pôr-se também a urrar. São uns urros medonhos. Desengane-se quem pensa que isto são uns peluches fofos. Não são muito grandes, mas têm a laringe lá mesmo no fundo, encostada ao esterno, de forma que conseguem tirar dali uns berros valentes à Louis Armstrong. Às tantas, pitosgas que são, usam a voz uns dos outros para avaliar o tamanho. Ando a ver se descubro.

4 comentários:

So*Nia disse...

Hahahaha.... muito fixe!!
mas sim.. acho que a pitosguice deles conduziu a uma qualquer forma de "audiovisualization" (se é que esta palavra faz algum sentido!!) Muito.. mas mesmo muito interessante!!
Se precisares de uma partner para lhes dar uns berros e ver a reacção deles, estás á vontade... manda-me uma carta de chamada, daquelas que o pessoal mandava nos anos 50, que eu marcho já daqui para fora! É que ao contrários dos teus pitosguinhas, os meus estão sempre caladinhos e sossegadinhos... acho que tanto silêncio e sossego está a dar comigo em doida!

Beijinhos e cuidado com esses peluches esquisitofrénicos!!

Vio disse...

Pronto, então, não te esqueças de avisar quando essa "descoberta" for publicada no "Science" ou "Nature". Uma pergunta: como sabes do tamanho deles? Foram capturados antes? Quem fez as capturas e as medições? Foste tu???
Ex-Labetoleana-V

Vio disse...

Acabei de ler outra vez, e li que puseste outro playback de indivíduo que "pensas ser maior". De onde essa intuição? Ex-Labetoleana-V

Guilhim disse...

Eh pá... eu se fosse a ti tentava um play back do tipo Ninfa Artemis... e vai daí se calhar não... tenta os pan pipe mudes! Vais ver que ficam mansinhos quem nem cordeiros!... o que também pode ser complicado, o cordeiros quando querem também são danados... e se te viesses embora... isso é que era!
beijo grande