Resgate de pára-quedistas da Guiné é missão oficial
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Corpos de militares na Guiné podem ser trasladados até JunhoNelson MoraisA operação de trasladação dos corpos de pára-quedistas sepultados em Guidaje, Guiné-Bissau, tem comando e planos novos. O que começou por ser uma iniciativa relativamente informal e sem garantia de financiamento - de ex-pára-quedistas, Associação de Veteranos de Guerra do Centro, jornal Aurinegra e familiares dos soldados mortos - transformou-se numa missão oficial, comandada pela Liga dos Combatentes e copatrocinada pela União de Pára-quedistas Portugueses (UPP). O calendário inicial não sofrerá grandes alterações. Sob a tutela do Ministério da Defesa, a Liga trasladará para Bissau, antes de ali começar a estação das chuvas, em Junho, ossadas de três pára-quedistas, mas também de cinco soldados do Exército sepultados em Guidaje. A UPP pagará o transporte para Portugal. "Se a Liga quer lá ir buscar os rapazes, fico satisfeito, pois a obrigação é deles. Os meus passos não foram em vão...", comenta Manuel Rebocho, ex-pára-quedista que espoletou a operação em curso, depois de descobrir, ao fazer uma tese de doutoramento, que três companheiros tinham ficado para trás. No mês passado, Rebocho deslocou-se mesmo à Guiné, onde o ministro da Defesa da ex-colónia, Hélder Tavares, lhe garantiu autorização extraordinária para a trasladação dos três pára-quedistas, mas não dos outros militares. "As ossadas são património da guerra de libertação da Guiné", terá dito o ministro, exigindo um acordo com o Governo de Lisboa para se mexer noutras sepulturas. Lopes Camilo, vice-presidente da Liga, contou ontem que o embaixador em Bissau já iniciou conversações nesse sentido.Por cá, a Liga prepara protocolos com o Instituto de Medicina Legal e a Faculdade de Ciências de Coimbra, para formar a equipa que procederá à trasladação dos corpos e à sua identificação, que poderá exigir testes de ADN. O caso alterou os planos da Liga, que nunca passaram pela trasladação para Portugal de mais de 1250 combatentes que não regressaram a casa. Tencionava concentrá-los em alguns cemitérios nas ex-colónias, mas só a partir de 2008. Ora, na Guiné, onde localizou corpos em 103 lugares, iniciará esse trabalho já. E a prioridade é a trasladação dos sepultados em Guidaje para Bissau. Babadinca, Bafatá e Gabú são as outras lugares onde serão concentrados soldados mortos na guerra travada na Guiné, adiantou o general Lopes Camilo.

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